terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Posso Falar?

"No dia 26/11/10, começou uma “guerra” dentro dos complexos do Alemão e Penha, no meio delas estão as pessoas que moram dentro desses complexos, gostaria que o Estado não viesse aqui só com Política de Segurança Pública, teria que trazer políticas publicas de QUALIDADE, não simplesmente fazer um projeto “MEGALOMAÍACO” de transporte que de nada beneficiará a comunidade, pois não há uma Política integrada de transporte dentro das comunidades. O Estado poderia integrar todos os transportes já existentes como os Mototaxis e Kombis."


Maycom Brum (morador do Morro do Alemão)

Posso Falar?



A Secretaria de Segurança montou uma ouvidoria para apurar as denúncias dos moradores do Alemão que acusam policiais de abusos -inclusive roubo à residências- no interior da comunidade.Vamos ver se o 'SAF'( serviço de atendimento ao favelado) instalado no 16º BPM vai funcionar, duvido muito, pois quem recebe as queixas são policiais.

Marco Rey (morador do morro do Alemão)

Entrevista para TV BRASIL

Comitê de Desenvolvimento Local da Serra promove diálogo entre Poder Público e Sociedade Civil

Se as propostas e o posicionamento permanecerem em cada um que participou da reunião de apresentação da “Agenda Sócioambiental Propositiva para o Território da Serra da Misericórdia e conjuntos de Favelas do Alemão e da Penha”, podemos começar a vislumbrar um futuro promissor para um projeto de desenvolvimento e valorização territorial dessas regiões, afinal, representantes da sociedade civil e poder público dialogaram frente a frente sobre propostas apresentadas pelo Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia - CDLSM, movimento organizado composto por instituições locais que desenvolvem atividades em suas respectivas comunidades no Complexo do Alemão.

Depois de todo alvoroço concentrado nos últimos acontecimentos no Alemão, uma diversidade de assuntos relacionados ao tráfico de drogas foram abordados como principais problemas daquele território. Sem questionar tal opinião, o CDLSM criou esse documento que mostra que não é apenas com ocupação militar que se alcançará a transformação social e trouxe para o debate coletivo envolvendo todos aqueles que se dizem interessados no desenvolvimento humano para essa comunidade.                                                                                                                               


O Diretor do Instituto Raízes em Movimento, Alan Brum, fala em que realmente se traduz este encontro.
Assistam ao vídeo:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

“Nunca vi nada parecido, blindado das Forças Armadas Brasileira passando em frente a minha casa, subindo a Avenida Central e destroçando um automóvel que até hoje está no mesmo local. Parecia mesmo, por alguns segundos, que o campo era de guerra. Para quê exatamente? Meu desejo é um só: Políticas Públicas eficazes para o Complexo do Alemão. Atenção para saúde, educação e trabalho para toda população.”

David Amen (morador do Morro do Alemão)   
“Na minha opiniao a midia ta querendo esconder o que realmente ta acontecendo. Quando moradores acenavam bandeiras brancas escrito paz antes da invasão não significava que os moradores queriam que o local continuasse em paz. Há muita arbitariedade ainda a se descobir....”

MC Rico (Morador da Pedra do Sapo)

Campanha "Posso Falar?"



















O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, por conta dos últimos acontecimentos nos Conjuntos de Favelas do Alemão e da Penha, lança a campanha "Posso Falar?", para que moradores possam expor o que passaram e o que estão passando após a ocupação militar dos conjuntos de favelas. Esta seção não se pretende um espaço de denúncia contra ações policiais, mas de relatos pessoais - que podem ou não ter esse tipo de conteúdo.

Se você quer falar, fique à vontade, porque aqui, você PODE FALAR!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Instituições confirmam presença para a reunião de hoje

Instituições  aderem a reunião de "Apresentação de uma agenda propositiva de ações sócio-ambientais para o Complexo do Alemão" que ocorrerá hoje, as 15h, na sede do Instituto Raízes em Movimento.

Este encontro é proposto pelo Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia representado por instituições locais que atuam no Complexo do Alemão.


Organizações que já confirmaram participação:


LOCAIS
  • Associação Parque Everest
  • Associação Luta Pela Paz
  • Associação de Mulheres de Inhaúma
  • Centro Reviver Mulher
  • Clube dos Adolescentes
  • Instituto Vida Real
  • Educap
  • Nascimento Para o Bem
  • Movimento Cultura Já
  • Rádio Clube de Inhaúma
  • Associação Comunitária das Ruas Malacacheta, Lume de Estrela e Adjacência
  • Creche Comunitária João Teixeira
  • Creche Novo Paraíso

PODER PÚBLICO
  • SEASDH - Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos
  • Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro
  • SEC - Secretaria Estadual de Cultura
  • SEDES - Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Solidário

QUE APOIAM
  • Tortura Nunca Mais
  • Fase
  • Ibase

Instituto Raízes em Movimento
Rua Diogo de Brito, 245 - Ramos (Rua em frente a Grota)
Tel: 3867-4629

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Fotos do Complexo do Alemão durante ocupação militar



As fotos são de Maycom Brum, morador do Alemão e integrante do Instituto Raízes em Movimento. A reprodução é permitida, desde que citada a fonte. Se reproduzir, entre em contato conosco: comitedaserra@gmail.com

Comitê realiza encontro com poder público

Será realizado encontro de articulação do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, junto às instituições da sociedade civil, para promover o diálogo com o Poder Público apresentando a proposta de uma agenda propositiva no próximo dia 02 de dezembro (quinta-feira) às 15h na sede do Instituto raízes em Movimento (Rua Diogo de Brito, 245 – Ramos).

As instituições locais, de atuação mais ampla e os cidadãos que apoiam essa posição coletiva podem aderir (e assinar a nota abaixo) enviando email para comitedaserra@gmail.com.

Os veículos de imprensa interessados em cobrir o encontro de quinta-feira devem entrar em contato pelo telefone (21) 3867-4629 ou pelo email comitedaserra@gmail.com

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nota pública de instituições comunitárias atuantes no bairro do Complexo do Alemão

Nota pública de instituições comunitárias atuantes no bairro do Complexo do Alemão

Para além da ocupação militar: por uma agenda socioambiental para o território da Serra da Misericórdia e os complexos de comunidades do Alemão, da Vila Cruzeiro e da Penha

Diante dos acontecimentos recentes na Vila Cruzeiro e no Conjunto de Favelas do Alemão - formado por 14 Comunidade e com população estimada em 400 mil pessoas -, que culminaram na ocupação desta área por forças policiais do estado e das Forças Armadas, as Organizações da Sociedade Civil abaixo assinadas, algumas com atuação há mais de 10 anos nesta região, vêm a público propor e Requerer dos governos nas esferas Federal, Estadual e Municipal umcompromisso efetivo. São necessários investimentos para tirar do papel um conjunto de propostas e projetos de caráter socioambiental, cultural e nas áreas de educação, saúde, mobilidade urbana, saúde ambiental, esportes, assistência social e segurança pública. Lembrando que muitas destas propostas já foram objetos de projetos não concretizados ao longo dos anos, esperamos que a partir de agora possam ser implantadas em benefício da população e da proteção deste território que historicamente foi abandonado pelos sucessivos governos e com isso ficou marcado por décadas pelo seu crônico esvaziamento econômico, pela violência, degradação urbana e como área de sacrifício ambiental. 

Somos o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, fruto de uma aliança entre diversas organizações locais já mobilizadas em torno da defesa da Serra da Misericórdia, movimento social que conquistou nos anos 90 seu reconhecimento legal como uma Unidade de Conservação da Natureza reconhecida pelo Decreto Municipal Nº 19.144 de 16 de novembro de 2000 - Área de Proteção Ambiental e de Recuperação Urbana – APARU da Serra da Misericórdia. Trata-se, portanto, de um coletivo que agrega, além das instituições do Comitê, moradores das favelas ocupadas militarmente, entidades comunitárias locais bem como ativistas e pesquisadores, todos com longa atuação nesta região e vivência nessas comunidades.

Nosso Objetivo é aprofundar o debate com a sociedade, o poder público e a mídia para além da ocupação militar.  Para isso, queremos, através de uma AGENDA SÓCIO-AMBIENTAL PARA O TERRITÓRIO DA SERRA DA MISERICÓRDIA E OS COMPLEXOS DE COMUNIDADES DO ALEMÃO, DA VILA CRUZEIRO E DA PENHA, apresentar idéias, sugestões, projetos e propostas objetivas e viáveis que possam colaborar com o desenvolvimento humano e a melhoria das condições socioeconômicas e sanitárias desta região e dos moradores. Assim, destacamos comoprioridades:

1.    Reconhecer o quão significativo é a ocupação do estado em áreas que antes eram dominadas por grupos ligados ao varejo de drogas não pode significar uma interpretação equivocada do contexto de violência e ilegalidade da cidade. Resumir a política de segurança pública a esta ocupação militar ou mesmo creditar às ações dos últimos dias uma triunfal “derrubada do tráfico” - o midiático dia “D” - apenas contribui para a criminalização das áreas de favelas e esvaziamento do debate. Essa interpretação pode gerar uma superficial e limitada cortina de fumaça sobre as causas reais que levaram a esta grave situação assim como camuflar as razões históricas que levaram ao abandono deste território e de sua população que vive há décadas em precárias condições de vida, e sem acesso a direitos elementares. Consideramos que para além das manchetes sensacionalistas que buscam induzir a sociedade e, principalmente, os moradores que vivem nas favelas cariocas a crerem que com a ação militar do Alemão o problema estaria superado e que nossa cidade estaria livre do crime de maneira definitiva, é preciso fazer uma análise profunda para comprovar que isto não se sustenta. A ação de combate ao varejo de drogas tem seus méritos, no entanto, não se pode associar toda a violência que assola a cidade apenas ao território das favelas dominadas pelo tráfico. Diversas variáveis interferem nesse contexto, muitas delas de amplo conhecimento da população e das autoridades públicas: corrupção policial, tráfico de armas, narcotráfico internacional, fortalecimento dos grupos milicianos, desigualdades sociais, ausência do Estado em grande parte da cidade, entre outras. É preciso, portanto, ressaltar os avanços presentes nos fatos dos últimos dias sem deixar de apontar as muitas frentes onde ainda precisamos atuar. 

Além disso, a cobertura da grande mídia e as ações governamentais que se seguirão devem ter o cuidado de não reforçar estereótipos históricos e preconceitos sociais associados às favelas, já que os moradores dessas áreas são sempre os mais atingidos pela violência. No momento em que o estado se mostra disposto a enfrentar esta realidade é preciso todo esforço para que não se repitam condições históricas que acabam por reforçá-la. Por isso, são inaceitáveis e não podem ser visto como “mal menor”, certos acontecimentos aos quais estão sujeitos hoje os moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, entre os quais destacamos a falta de energia elétrica; o fechamento das escolas; a entrada violenta por parte das forças policiais nas residências; o furto de objetos nestas residências. Esses fatos devem ser profundamente combatidos, prestando contas à sociedade. Por outro lado, apesar dos casos de posturas inadequadas de alguns policiais, é importante destacar que as ações dos últimos dias divergem daquilo que se viu nas últimas duas décadas no que diz respeito à ação policial, ao menos nas favelas do Alemão. É notável que a inteligência foi privilegiada em detrimento da repressão desmedida. Se há relatos de abusos, muitos são também os relatos que reconhecem uma postura por parte dos policiais da maneira que se espera deles: com respeito aos direitos dos cidadãos. Não cabe elogiar aquilo que, na verdade, é a conduta correta das forças que representam o estado, mas é forçoso destacá-la uma vez que historicamente não foi esta a realidade experimentada pela comunidade.

2.    Esta ação aponta para uma profunda transformação no cotidiano das favelas do Alemão, por isso, este coletivo avalia ser necessário aliar uma ampla diversidade de atores sociais para que ela possa se consolidar. A atuação conjunta entre as várias forças estatais (tanto no campo da segurança quanto no campo social), somada à participação dos moradores e das organizações locais que há anos lutam pela melhoria das condições de vida da região podem fortalecer este processo, dando-lhe transparência e legitimidade. Esta é precisamente a razão pela qual as instituições que assinam esta nota buscam agregar outros atores locais e estabelecer um diálogo amplo e duradouro com o poder público.

Para isso, propomos a construção coletiva de uma Agenda Propositiva para o Conjunto de Favelas do Alemão. As instituições que já se envolveram neste debate têm buscado contribuir nos campos nos quais já acumulam ampla experiência, principalmente com propostas de projetos nas áreas da cultura, meio-ambiente, educação e esporte. Destaca-se a longa vivência destas instituições nas diversas comunidades do Complexo do Alemão, onde há anos desenvolvem projetos sócio-ambientais, educativos e culturais em geral sem qualquer apoio dos governos ou da iniciativa privada. Da mesma forma, é necessária e deve ser urgente, por parte do poder público, a abertura de canais para o diálogo com as entidades comunitárias locais, bem como de participação no processo que envolve a Agenda.

Será realizado encontro de articulação do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, junto às instituições da sociedade civil, para promover o diálogo com o Poder Público apresentando a proposta de uma agenda propositiva no próximo dia 02 de dezembro (quinta-feira) às 15h na sede do Instituto raízes em Movimento (Rua Diogo de Brito, 245 – Ramos).

As instituições locais, de atuação mais ampla e os cidadãos que apoiam essa posição coletiva podem aderiar via comentário nesta postagem ou enviando email para comitedaserra@gmail.com.

Aos canais de imprensa interessados em cobrir o encontro de quinta-feira, favor nos contatar pelo telefone (21) 3867-4629 ou pelo email mailto:comitedaserra@gmail.comenviar.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Serra da Misericórdia exige parque ecológico

Moradores do Alemão reivindicam diálogo com governo
O evento “O Lago é Nosso!” realizado neste domingo às 11h (ontem) pelo Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, Éfeta, Raízes e Verdejar reiniciou uma série de reivindicações dos moradores do Complexo do Alemão, entorno e redes sociais locais para a construção do Parque Ecológico na Serra da Misericórdia.

O foco do evento, além de chamar a atenção do poder público para a degradação ambiental da Serra da Misericórdia promovida por empresas que exploram a região há 17 anos, foi também de provocar abertura no diálogo entre O Governo e a Empresa Municipal de Obras Públicas (EMOP) quanto à participação popular na construção e gestão do Parque e de equipamentos públicos.

O Parque Ecológico na Serra da Misericórdia é uma forma de reconhecer a importância da última área verde da Zona da Leopoldina e conseqüentemente cumprir com o que rege no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de constar na planta do PAC (vide site oficial do Governo Federal), o Parque Ecológico é indubitavelmente de extrema importância para o Complexo do Alemão e entorno, pois vai contribuir para melhoria da qualidade de vida da população.  

Qualidade de vida que se expressa por propostas concretas para recuperação de áreas degradas, tratamento de resíduos sólidos tendo como parâmetro a promoção de trabalho e renda, recuperação de espaços públicos (praças e logradouros), implantação de uma Lona Cultural, de um centro poliesportivo, de uma universidade popular entre outras.
Considerando que o desenvolvimento sustentável só pode ser alcançado com a mudança de uma política equivocada em relação ás questões ambientais o Comitê, as redes sociais e moradores exigem a apresentação do projeto urbanístico do Parque Ecológico, a política ambiental a ser implementada e a garantia de participação popular neste processo e em outros. 

Complexo do Alemão abraça o lago
A idéia de dar um abraço simbólico no lago surgiu da necessidade de mobilizar os moradores do Complexo do Alemão e entorno para importância da construção do parque ecológico na Serra da Misericórdia, para a desativação da pedreira e, por conseguinte, preservar o que ainda resta do ecossistema e recuperar as áreas degradas, de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável.

Vários artistas locais, convidados e moradores subiram a Serra para participar do evento. A mobilização levou cerca de 150 pessoas ao grande lago, entre elas: MC Playboy, Choro da Serra e Orquestra Voadora. Houve também coleta de lixo, plantio de mudas de árvores, poesia e muita diversão.

Moradores apoiaram o evento e ficaram felizes com a iniciativa. No momento do abraço todos, com muita descontração, deram as mãos em torno do lago, fizeram “ola” e gritaram: “O LAGO É NOSSO!”.

De acordo com as instituições organizadoras do evento o Parque Ecológico é uma reivindicação antiga e que agora ganha força com movimentos sociais e moradores que querem a construção dele, tanto quanto a construção do plano de gestão participativa dos equipamentos públicos. 

Aguardando resposta do Governo
As solicitações da construção do parque ecológico e promoção de novas práticas saudáveis para os moradores do Complexo do Alemão e adjacências não encontram melhor momento para a implementação.

Todas as melhorias devem ter como prioridade o morador, sendo assim, requisitamos ao Governo atenção ao ofício de nº 1/2009 protocolado no dia 12 de novembro de 2009 junto à Secretaria Geral da Presidência do Brasil, a Presidência da Caixa Econômica, ao Governo do Estrado e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro com cópia para os Ministérios público Estadual e Federal.

Acreditamos que após o evento de hoje (ontem) o Governo vai nos ouvir e abrir um canal para o diálogo, não como meros legitimadores do processo (como vem acontecendo com as obras do PAC), mas como participantes legítimos dele. Isso implica dizer em envolvimento com e das diversidades e multiplicidades de atores sociais previsto pelo Projeto Técnico do Trabalho Social (PTTS), tomadas de decisão e diálogos permanentes com efetiva participação popular.

O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da misericórdia, as redes sociais e moradores do Complexo do Alemão e adjacências aguardam o diálogo frente às reivindicações.

Ricardo Moura – Coordenador Geral do Movimento de Integração Social Éfeta e integrante do CDLSM

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Comitê e sua participação no PAC

O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia é formado por instituições da sociedade civil organizada e cidadãos do Complexo do Alemão e consiste em um espaço de diálogos e fomento de propostas, ações, projetos, pesquisas, articulações e outros objetivando contribuir para o enfrentamento dos diversos problemas exsitentes nesta região, sendo ainda um canal direto de diálogo e articulação com as esferas governamentais (municipal, estadual e federal) para fomento de políticas públicas a serem implementadas no Complexo do Alemão e entorno.
O PAC abriu um canal de diálogo em nome do governo com a comunidade, porém este diálogo está na participação da construção das propostas. O CDLSM (Comitê) quer garantir que as propostas discutidas sejam implementadas e para que isso ocorra temos que construir um espaço com autonomia.
Pauta:
· Acompanhamento das obras;
· Questões ambientais: recolhimento de lixo, ciclovia e parque ecológico;
· Ações articuladas entre o governo e as instituições locais;
· Gestão participativa dos equipamentos públicos;
· Informações sobre TODOS os equipamentos públicos a serem construídos pelo PAC;
· Informação e critérios para as melhorias habitacionais;
· Solicitar ao Poder público (Estadual e Municipal) quais as políticas articuladas para Esporte e Lazer e cultura;
· Abrir espaço para receber insatisfações e sugestões de moradores que qualifique as intervenções do PAC e
· A QUE VOCÊ vai propor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Serra da Misericórdia

Geografia
A Serra da Misericórdia abrange cerca de 43,9 km2 no município do Rio de Janeiro, e está localizada após uma faixa de baixada de aproximadamente 6 km a norte do Maciço da Tijuca e 3 km da costa oeste da Baia de Guanabara no ponto mais próximo de seu relevo: o bairro da Maré. O maciço da Misericórdia chega a aproximados 260 metros de altitude em seu pico culminante a Serra do Juramento.

Estende-se por 27 bairros do subúrbio carioca: Abolição, Bonsucesso, Brás de Pina, Cavalcante, Cascadura, Complexo do Alemão, Del Castilho, Engenho da Rainha, Higienópolis, Honório Gurgel, Inhaúma, Irajá, Madureira, Olaria, Penha, Penha Circular, Piedade, Pilares, Ramos, Rocha Miranda, Tomas Coelho, Turiaçu, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Vila Kosmos e Vista Alegre.

Os dados históricos sobre a Serra da Misericórdia remontam o primeiro ciclo agrícola. Entre os séculos XVII e XIX, servia como fronteira entre as importantes freguesias rurais de Inhaúma e Irajá, que mais tarde se converteram em freguesias urbanas e finalmente em bairros suburbanos da cidade do Rio de Janeiro.
Estando dentro da macro bacia hidrográfica da Baia de Guanabara destacam-se como principais corpos hídricos da região: O Canal do Cunha, o Canal da Penha, os rios Jacaré, Faria, Timbó (que tem suas águas enriquecidas por inúmeros afluentes na Serra da Misericórdia), Faria-Timbó, Cachorros (com suas nascentes na Misericórdia), Irajá e Ramos; onde se situa a Praia de Ramos, considerada pelos órgãos públicos como “a mais poluída do Brasil”.

Considerando-se os bairros inseridos na Serra da Misericórdia, vivem 897.797 mil habitantes na região, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – 1996), dos quais grande proporção vive nas 98 favelas existentes (Instituto Pereira Passos – 1998). Destacam-se os Complexos do Alemão, Complexos da Penha e Juramento considerados a área mais violenta da cidade, (Secretária de Estado de Segurança Publica SESP – 2002).
Situação Ambiental
A ocupação residencial na região mistura-se a uma significativa ocupação industrial. Estima-se a presença de 1563 estabelecimentos industriais conforme o Anuário Estatístico da cidade do Rio de Janeiro/1998. São produzidos gêneros alimentícios, cimento, cosméticos, tintas, entre outros, o que favorece a grande arrecadação de ICMS.

No entanto, não há nenhum programa eficaz de controle sobre a poluição dos bairros circundantes ao maciço da Misericórdia, o que se agrava ainda mais com a existência de três pedreiras com suas jazidas de granito na região. A ausência de fiscalização se repete na emissão do esgoto industrial; desta forma a água dos rios da Serra da Misericórdia transporta metais pesados e detritos orgânicos para a Baia de Guanabara.
As formações rochosas da Serra são compostas por um tipo de granito que é raro. Originalmente teria sido revestida por uma densa cobertura de mata atlântica e hoje se encontra em estado avançado de degradação e com alguns pequenos pontos de mata rasteira.

Com a perda da vegetação original, houve a destruição da estrutura do solo que é necessária à sua agregação e firmeza, causando a impermeabilização do mesmo, ressecamento dos rios que dependem da vegetação e a aceleração da erosão e do assoreamento, pondo em risco as comunidades que vivem nas encostas.

Atualmente os pequenos ecossistemas que se encontram em fase de regeneração estão seriamente ameaçados pelo alastramento de ocupações irregulares de moradias subnormais e atividades de exploração de minerais.

Na área central da serra a atividade de exploração mineral está cada vez mais acentuada, o que dificulta a recuperação ambiental. Essa situação de risco constante vem motivando as comunidades a participar das ações de associações de moradores, grupos e Ongs que atuam na Serra, promovendo a recuperação e a preservação de seu ambiente natural.

O subúrbio do Rio de Janeiro tem, na Serra da Misericórdia, a “maior exploração mineral do Brasil em perímetro urbano”. A formação geológica do maciço, devido ao seu granito de composição homogênea, trouxe empresas para a produção de brita, um negócio que continua atraindo exploradores europeus. Uma das três principais pedreiras que explodem a Misericórdia diariamente, a Brasil Beton, pertence ao grupo francês La Farge. Além desta, há ainda mais duas pedreiras em funcionamento: Nossa Senhora da Penha e Anhangüera. Ainda existem mais de quinze pedreiras desativadas e uma saibreira extinta a mais de 50 anos no perímetro misericordiano.

Dentre os devastadores da Serra da Misericórdia, as pedreiras são, sem dúvida, os agentes mais nefastos, pois os danos que causam são irreversíveis. Segundo o diagnóstico ambiental realizado por Cláudio Martins, geólogo, professor da Universidade Federal Fluminense, as áreas de mineração na Serra da Misericórdia apresentam-se bastante degradadas “com amplas faixas de terreno expostas à erosão laminar em sulcos, dificultando assim a regeneração da vegetação”. Ainda de acordo com Martins, “tais áreas degradadas definem verdadeiras ‘ilhas de calor’ no âmbito urbano e configuram processo de desertificação no sentido ecológico”.

A atividade mineradora causou a degradação da área, destruindo os topos de morros, eliminando nascentes e a vegetação. Foram poucas as formações naturais peculiares da Serra da Misericórdia que resistiram à destruição. Citamos a Pedra da Penha e a Pedra Bicuda a primeira por abrigar a Igreja da Penha e a segunda por atuação da sociedade civil organizada.

Além de causarem danos irreversíveis ao maciço, destruindo nascentes e vegetação, as explosões lançam partículas sólidas no ar, que somadas à poluição química proveniente do parque industrial, contribui muito para o aumento dos casos de infecções agudas respiratórias – IRA entre a população, da região, e faz dos bairros: Inhaúma, Engenho da Rainha, Bonsucesso, Del Castilho e outros, a bacia aérea mais poluída da cidade segundo a FEEMA – 1997.

Somado a esse problema, a ocupação residencial dizima pouco a pouco as pequenas áreas verdes restantes, principalmente na expansão das favelas do Complexo do Alemão, Complexo da Penha e Complexo do Juramento. Caracterizando outro problema sócio-ambiental na região: o adensamento populacional desordenado e desassistido pelo poder publico, tem como conseqüências principais à geração de violência e a proliferação de doenças infecto-contagiosas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2002) no Complexo do Alemão são de 20.100 a 25.090 o número de habitantes por km².